O Método
das UEPs
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Unidade
de Esforço
de Produção
e a Medição
da Capacidade
Produtiva
Airton
Martins
O MÉTODO DAS UEP’s (Unidades de Esforço de Produção)
1. O Cálculo das Capacidades de Produção
Pelo método das UEPs, a determinação das capacidades de produção é feita a partir dos potenciais produtivos de cada Posto Operativo, e será diretamente proporcional ao valor dos custos engajados para transformar as matérias-primas em produtos acabados.
O conceito de capacidade está diretamente associado à utilização que se faz da estrutura de produção da empresa. Dessa forma, no caso de empresas multiprodutoras, haverá tantos níveis de atividade (que são gradações da capacidade total) quantas forem às combinações possíveis do “mix” de produtos (pois cada um dos produtos utiliza de forma mais ou menos diferenciada os meios de produção disponíveis).
Além disso, a unificação da produção proporcionada pelo método das UEPs permitirá a definição de capacidades individualizadas e homogêneas para as diversas operações realizadas por uma fábrica, o que facilitará e/ou viabilizará as análises globais, localizadas e comparativas de desempenho.
Essas capacidades podem ser, ainda, definidas segundo três critérios de classificação distintos:
a) Capacidade Total: é a máxima quantidade teórica de UEPs que pode ser produzida num dado período, não se levando em conta as restrições técnicas impostas pelo processo produtivo. Em função dos tempos considerados, ela pode ser subdividida em:
a .1) Capacidade máxima teórica
a .2) Nível de atividade máxima prevista ![]()
a .3) Nível de atividade máximo real ![]()
Capacidade Teórica = Potencial do PO x Tempo Total do PO
Nível de Atividade Real = Potencial do PO x Tempo Real do PO
Onde:
Pj = potencial do Posto Operativo “ j ” (em UEPs hora)
Ttj = tempo total utilizável pelo posto operativo “j “ (em horas)
Tpj = tempo previsto de utilização do posto operativo “j “ (em horas)
Trj = tempo real utilizado pelo Posto Operativo “j “ (em horas)
b) Capacidade Técnica: corresponde à quantidade máxima de UEPs que se consegue obter quando as restrições técnicas inerentes à estrutura de produção são consideradas. Esta capacidade está diretamente associada à existência de desbalanceamentos na estrutura de produção da empresa, os quais serão maiores ou menores de acordo com o “mix” de produtos fabricados. No seu processo de obtenção, define-se o “mix” de produtos que otimiza a utilização da capacidade instalada da fábrica. Da mesma forma que para o caso que para o caso anterior, pode-se subdividi-la em:
b .1) Capacidade técnica total:
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b .2) Nível de atividade técnica prevista:
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b .3) Nível de atividade técnica teórica com os tempos reais:
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Onde:
Ei = esforço de produção necessário à fabricação do produto “ i “ (em UEPs).
Xi = quantidade física a ser produzida do produto “ i “
Ei , j = esforço de produção despendido pelo produto “ i “ no posto operativo “ j “.
c) Capacidade Econômica: dá a quantidade máxima de UEPs que a empresa deve produzir para otimizar sua lucratividade e sua obtenção implica na definição de um “mix” econômico ideal dos produtos da empresa. Para sua definição, deve-se levar em consideração simultaneamente às restrições impostas pelo mercado (margens-fábrica dos produtos; quantidades de produtos mínimas e/ou máximas, compatíveis com a participação da empresa no mercado) e pelo processo produtivo. De forma similar às outras duas, a capacidade econômica também pode ser subdividida em:
c .1) Capacidade econômica total:
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c .2 ) Nível de atividade econômica prevista:
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c .3 ) Nível de atividade econômica teórica com os tempos reais:
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Onde:
MFi = margem-fábrica produto “ i “
a i = quantidades mínimas de produção para o produto “ i “
b i = quantidade máxima de produção para o produto “ i “
Como se
pode observar, teremos um problema de programação linear, onde o número de variáveis será igual ao
número de produtos (ou família de produtos), e onde o número de restrições será dado ou pela quantidade de postos operativos da empresa (caso da capacidade técnica), ou pela quantidade de postos operativos acrescida da quantidade de restrições de limites máximo e mínimo impostos pelo mercado (caso da capacidade econômica).
Medidas e Desempenho da Produção
Dentro da gestão industrial, é essencial que se acompanhe dinâmica, localizada e constantemente, e através de parâmetros bem definidos, o desempenho da produção. Neste sentido, três índices são bastante elucidativos, quais sejam os índices de eficiência, eficácia e produtividade.
A dificuldade para se chegar a valores representativos desses índices, em empresas multiprodutoras, se deve à existência de produtos e seções diferenciados. É preciso estabelecer corretamente suas quantidades produzidas para poder confrontá-las com a capacidade de produção da fábrica num dado período. O método das UEPs, através do seu fundamento básico de unificação da produção, nos dá uma boa resposta para este tipo de problema e propõe a seguinte metodologia para medir o desempenho da produção:
a)
b) ![]()
c)
No caso do método das UEPs, esses índices são calculados por posto operativo, por seção produtiva ou para a fábrica como um todo, e tudo isso utilizando-se de uma unidade de medida comum a todos eles. Além disso, a obtenção desses índices pode ser feita instantânea e localizadamente, facilitando a identificação e o diagnóstico dos eventuais desvios de produção e, daí, permitindo a adoção de medidas corretivas rápidas e
efetivas.
Cálculo da Lucratividade dos Produtos
Para calcular a lucratividade dos diversos produtos, o método das IEPs utiliza-se mais uma vez do principio do valor agregado de produção. De acordo com este, o lucro da empresa está diretamente relacionado com o esforço de produção necessário para transformar as matérias-primas em produtos acabados.
A operacionalização desse princípio para o cálculo da lucratividade dos produtos é feita através do método das rotações. Para calculá-la, inicialmente deve-se calcular a margem-fábrica proporcionada pelos diversos produtos da empresa, a qual será obtida pela diferença entre o preço de venda do produto e a soma de seus custos de matéria-prima e de transformação.
A seguir, calcula-se o número de vezes que essa margem-fábrica é maior do que os custos de transformação, isto é, o número de vezes que a empresa “girou” seus esforços de produção para fabricação de cada produto. Isto é feito pelo cálculo das rotações de cada produto:
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Assim , a rotação mede a rentabilidade da utilização da estrutura de produção da empresa. Quanto maior for esta rotação, mais lucrativo terá sido o esforço de produção despendido para transformar as matérias-primas em produto acabado.
Eventualmente ou permanentemente, a fábrica pode se deparar com fatores que restrinjam a produção, como falta de matéria-prima, ou tempo de fabricação dos produtos acima do disponível. Nestes casos, as lucratividades e as rentabilidades devem ser consideradas por unidade desse fator restritivo (número de rotações / hora, por exemplo), e não mais por unidade de produto fabricado.
Evidentemente a margem-fábrica não dá diretamente o lucro unitário de cada produto da empresa, pois esta necessita cobrir, ainda, suas despesas de estrutura fixa (despesas administrativas, financeiras e comerciais). Assim, cada produto deve alocar uma parte de sua margem-fábrica para cobrir a parte das despesas de estrutura fixas que lhe cabe ou até mesmo sua margem total. Isto feito pelo cálculo da rotação a lucro zero (Ro), que dá o número mínimo de rotações que cada produto deverá ter para cobrir sua parcela correspondente das despesas de estrutura fixas.

Finalmente, a diferença entre as rotações de cada produto e a rotação a lucro zero da empresa medirá a lucratividade dos produtos. Essa diferença é obtida a partir do conceito de rotação lucrativa (RL).
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BIBLIOGRAFIA
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Universitária Regional de Blumenau, 1985.
ANTUNES JUNIOR, José Antonio. “Fundamentação do Método das Unidades de
Esforço de Produção” . Tese de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em
Engenharia da Produção da UFSC, abril de 1988.
BORNIA, Antonio Cezar. “Análise dos Princípios do Método das UEPs”. Tese de
Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Engenharia da Produção da UFSC, 1986.
KLIMANN NETO, Francisco José. Apostila de “Custos Industriais” do programa de Pós-
Graduação em Engenharia da Produção da UFSC, 1986.
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Metodologia das UEPs”. Tese de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em
Engenharia da Produção da UFSC, março de 1988.
GANTZEL, Gerson; ALLORA, Valério. “Revolução nos Custos”. Salvador, BA Casa da
Qualidade, 1996.